
Os curdos representam uma população de cerca de 30 milhões de habitantes vivendo majoritariamente em uma região entre a Turquia, o Iraque, a Síria, o Irã e uma parte da Armênia. Representam a maior nação do mundo sem estado próprio, que, desde a queda do Império Turco Otomano, busca pela formação do Estado Curdistão.
Os povos curdos formam uma população significativa do Oriente Médio, representando a quarta maior etnia da região (BBC, 2019). A problemática envolvendo os curdos, além de abranger a formação de um Estado em um território geopoliticamente estratégico, gira em torno da reivindicação pela autodeterminação desses povos.
À luz do Direito Internacional, o princípio da autodeterminação confere o direito de autogoverno e de reconhecimento da existência e da preservação cultural e étnica dos povos (ROCHA, 2017). No caso dos curdos, eles enfrentam uma submissão aos países dos quais fazem parte, pois não há um poder central e autônomo para guiar e reivindicar os interesses e os direitos dessa nação. Dessa forma, desde a negação da formação de seu Estado, na década de 20, esses povos apresentam-se como minorias étnicas nas nações em que se instalaram.
Por estarem em um centro de conflitos e por não terem seus direitos reconhecidos, os curdos representam uma força importante, por exemplo, na guerra civil da Síria. As milícias curdas representam uma força de repressão ao governo de Bashar-al Assad, principalmente na ação das mulheres curdas em Rojava. O exército feminino curdo representa um dos principais polos de resistência ao Estado Islâmico (EI) e é reconhecido pela sua bravura nos ataques do EI à cidade de Kobane em 2014 (ISIK, 2019). Tal levante militar realizado por mulheres é particularmente importante no Oriente Médio, tendo em vista seu histórico patriarcal marcado de maneira significativa por violência doméstica, casamento forçado e submissão feminina.
Texto por: Aylla Beatrisse Rodrigues de Queiroz Guerra – Pesquisadora na linha de Direitos Humanos.
gedaiufcPor fim, vale citar que a luta pelo estado nacional curdo não é homogênea, apesar de apresentar uma agenda comum de interesses. Isso se deve à dispersão desses povos que, por estarem em países diferentes, enfrentam também lutas particulares. Tal movimento é marcado, sobretudo, pelo ativismo político e pela guerrilha, mas encontra diversas repressões. Um exemplo claro é a Turquia, país que, embora detenha a maior população curda, apresenta uma tradição de discurso de ódio e violação dos direitos dos curdos, os quais são, muitas vezes, considerados terroristas (VOZ DA TURQUIA, 2020). Não há, porém, perspectivas que permitam a resolução da questão curda, principalmente tendo em vista a região marcada por conflitos a qual eles reivindicam. A perspectiva maior é a de que a luta pelo estabelecimento do Estado Curdistão perpasse, ainda, a vivência de muitos curdos.

