A Teoria Gaia foi formulada em 1960 pelo britânico James Lovelock, um pesquisador independente e ambientalista que completou 100 anos em 2019, com a colaboração de Lynn Margulis, a teoria tenta explicar o comportamento sistêmico do Planeta Terra. Gaia, na mitologia grega, é a deusa que personifica a Terra, mãe de todas as criaturas vivas. Na opinião de alguns cientistas, a Terra pode ser realmente comparada a um imenso organismo vivo, do qual todas as espécies fazem parte, como se fossem seus tecidos.

O Planeta Terra deveria ser estudado como um sistema fisiológico fechado, da mesma forma que um Fisiólogo estuda a interdependência das funções orgânicas do corpo humano. De acordo com essa hipótese, a biosfera da Terra, como um todo, apresenta características típicas de um ser vivo: capta energia para manter seu funcionamento e é capaz de se autorregular, ou seja, apresenta homeostase (tendência à estabilidade do meio interno do organismo). Nesse contexto, a atmosfera não é uma mera camada de gás que envolve a Terra, e sim uma membrana gasosa sem a qual a vida seria impossível. Juntamente com os oceanos, a atmosfera é a responsável pela manutenção das temperaturas amenas reinantes na maior parte da superfície do planeta. As nuvens, ao refletirem para o espaço parte da radiação solar, controlam a quantidade de energia solar que atinge a superfície terrestre. O ciclo das chuvas, por outro lado, ajuda a irradiar para o espaço parte do calor que atinge a superfície terrestre. [1]
Assim, Lovelock formulou a Hipótese Gaia, onde afirma que o planeta é um único organismo, ou melhor, um superorganismo vivo. Desse modo, ainda de acordo com a Hipótese Gaia, os efeitos do aquecimento global para a vida humana e de outras espécies são irreversíveis e, segundo o cientista, a saída seria buscar formas de minimizar tais efeitos da melhor maneira possível. O planeta irá sobreviver, o que devemos fazer é tentar salvar uma parte da humanidade. Caso contrário, de acordo com algumas previsões, nas próximas décadas, principalmente a partir de 2040, cerca de 80% da população humana morreria, os demais 20% viveriam em alguns locais onde a temperatura não iria subir muito e onde ainda choveria o mínimo para poder plantar, esses locais o próprio autor chamou de ilhas-botes-salva-vidas.
O grande gerador da catástrofe iminente, segundo o autor, é a superpopulação humana, que emite muitos gases e que destrói grandes áreas para a agricultura. A continuidade das atuais atitudes, no que diz respeito à exploração dos recursos da Terra, ao contrário do que se pensa não destruiria esse organismo, pois como ressalta o autor, “Gaia é bem mais forte que os homens e, no fundo, apenas superficialmente atingida por seus caprichos, mesmo os mais insanos”. Assim a grande questão é encontrar uma saída para não permitir a extinção humana, pois foram necessários 3,5 bilhões de anos para desenvolver-se um animal capaz de pensar e agir conscientemente e talvez não surja outra espécie com essas capacidades. E como dito por Lovelock “Somos, de certa forma, seu sistema nervoso”, ressaltando a importância da espécie humana para Gaia, “Ela perderia muito se nos perdesse”. [2]
Duas são as fontes principais deste desequilíbrio:
1) O capitalismo, cujo atual padrão de acumulação é altamente dependente do petróleo, e da ocupação de áreas de ecossistemas. Tanto a combustão do petróleo quanto o desmatamento, a poluição do mar, a mineração, são emissores importantes de dióxido de carbono.
2) O crescimento populacional. O número crescente de seres humanos no planeta é, na verdade, a maior ameaça real para o clima, devido ao seu potencial de emissão de CO² pelo simples fato de todos nós termos de respirar e liberar este gás na atmosfera.
As propostas de Lovelock para reduzir o impacto do aquecimento global, cujos efeitos já se fazem sentir por meio das mudanças climáticas em todo o planeta, são controversas: redirecionar a matriz energética para o nuclear, e adotar políticas para reduzir o tamanho da população mundial. [3]
REFERÊNCIAS:
[1] LOVELOCK, JAMES. Gaia: alerta final. Título original “the vanishing face of gaia: a final warning”. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2010.
[2] FRANÇA, Marcos Sousa; TEIXEIRA, Andréa dos Santos; REGIS, Gertrudes de Sousa. BACIAS HIDROGRÁFICAS NUMA PERSPECTIVA GLOBAL: uma análise de conflitos transfronteiriços e tratados brasileiros internacionais. In: MONT’ALVERNE, Tarin Cristino Frota; MELO, Silvana Paula Martins de; QUEIROZ, Arthur Gustavo Saboya de (Organizadores). OS DESAFIOS DO DIREITO INTERNACIONAL CONTEMPORÂNEO. 1ed. Belo Horizonte: Arraes Editores, 2018, v. 1, p. 35-52.
[3] NASSIF, Luis. GGN. O britânico James Lovelock e a Teoria de Gaia. Disponível em: <https://jornalggn.com.br/meio-ambiente/o-britanico-james-lovelock-e-a-teoria-de-gaia/>. Acesso em 23 out. 2019.


