Para a Corte Penal Internacional, a entrega Omar Hassan Ahmad al-Bashīr não é simplesmente um processo judicial, mas o resultado de uma luta diplomática que remonta ao ano de 2009, quando o supracitado foi acusado, pelo procurador do TPI, Luis Moreno Ocampo, de crimes de guerra, de genocídio e contra a humanidade pela participação de milícias governamentais na guerra civil sudanesa em Darfur, entre 2003 e 2008.

Escapando de dois mandados de detenção do TPI, Al-Bashir, deposto desde abril de 2019 pelo Exército sudanês, foi entregue após um escândalo acontecido no final do ano de 2019, quando o ex-ditador sudanês foi julgado por possuir grande quantidade de dinheiro estrangeiro em sua propriedade, o que reacendeu o debate sobre suas acusações à Corte Penal Internacional.
Os resultados da guerra civil em Darfur ocasionaram a morte de trezentas mil pessoas, bem como o deslocamento de 2,5 milhões de refugiados (a maioria não-árabe) para os países vizinhos, dos quais o mais afetado foi a Etiópia, que se tornou um dos maiores campos de refugiados do mundo, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, em 2015.

