Paralelo ao Tribunal Militar de Nuremberg (TMN), responsável pela condenação dos líderes da Alemanha Hitlerista, ocorreu, semelhantemente, a execução de tribunais militares a fim de julgar os crimes cometidos pelo membro oriental do Eixo, o Japão Imperial, no que ficou conhecido popularmente como Tribunal de Tóquio.
De fato, a criação de uma corte penal voltada para os crimes de guerra do Japão já era discutida desde a Declaração de Potsdam e foi consolidada com o Acordo de Londres, dois dias após a primeira bomba nuclear ter sido lançada em Hiroxima.

Um mês depois, declarou-se a prisão provisória de 80 suspeitos de crimes japoneses, dos quais o mais notável era o premier japonês Hideki Tojo, e institui-se a Corte de Ichigaya, em Tóquio, no ex-quartel-general do Exército Imperial. De sua concepção, o Tribunal Oriental se mostrou, em alguns pontos, bastante diverso de seu antecessor, o Tribunal de Nuremberg: o número de artigos de sua Carta Constituinte era menor (17 artigos contra 30 do TMIN), embora o número de crimes previstos tenha sido maior (acrescentaram-se também os crimes de conspiração e de planejamento para guerra não-declarada); ademais, o TMIEO foi a primeira corte penal internacional a julgar exclusivamente pessoas físicas, enquanto o TMIN julgava pessoas físicas e jurídicas; e destacou-se também pela possibilidade dos julgados de recorrerem ao seu veredicto (recurso que seria encaminhado à Suprema Corte Americana).
Relativo às penalidades, foram acusados da prática de 58 crimes de guerra, dos quais cita-se a violação de normas e de costumes de guerra e pelos crimes contra a humanidade (assassinato, extermínio, escravização, deportação e qualquer ato desumano cometido contra população civil, antes ou durante a guerra, ou perseguições por motivos políticos ou raciais, na execução ou na relação com qualquer crime que recaia na jurisdição do Tribunal, esteja ou não violando a legislação interna de país onde foi perpetrado o crime).
De maneira sucinta, o Tribunal Oriental foi pautado na tentativa de correção dos erros cometidos no Tribunal de Nuremberg, ensaio que culminou no aparecimento de mudanças essenciais na composição do próprio TPl.

